Quando o corpo é mercadoria, quando a vida se torna 1,5 milhão de toneladas exportadas em 2025, seu choro não é nada além de carnaval. É lágrima de Samba na ponta dos pés precificado no mercado externo.
Cria de uma baia de 1m², sai morro abaixo PorCultura. Uma guarda-chuva, uma mochila, estar no lugar errado na hora errada ou uma curtição no fim de semana, um torresmo ou linguiça assada, a feijoada da necropolítica cultural em bandejas de isopor e plástico stretch no diário de um enchiqueirado, ensurdece a avenida e dá lugar de notícia, estirado num banner e na propaganda por uma semana até que retoma o churrasco o próximo jogo, o próximo escândalo.
Embarcando 500 anos de prêmios jabutis, sentados da Academia Brasileira de Letras, na graxa e no asfalto, estão 73% dos óbitos por causas externas – 61.346 mortes em 2022/23 – de jovens negros e negras. O apagamento histórico silencioso e sufocante em 34,5% das incidências em mulheres dentro de casa. A eficiência produtiva mascara a violência estrutural. O mercado internacional celebra 10% do crescimento de exportações e o território nacional herda cicatrizes.
Entre fazenda e porto, entre chiqueiro e navio cargueiro:
Juro não vou desistir mesmo se ninguém me socorrer.